Os nomes de moeda que vários países partilham

Esta página não dá nenhuma taxa de câmbio. Trata de outra coisa, e de algo que nunca se move: os nomes. Mais de vinte moedas chamam-se dólar, cerca de dez chamam-se franco, e um preço escrito numa delas não quer dizer nada sem o seu país. Três letras decidem de cada vez, e são as do código ISO 4217.

O dólar dá nome a mais de vinte moedas

Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Singapura, Hong Kong e Taiwan contam todos em dólares, e os seus dólares nada têm em comum além da palavra. O nome, esse, é europeu: vem do Joachimsthaler, uma grossa moeda de prata cunhada na Boémia no século dezasseis, cujo nome encurtou para tálero e depois para dólar.

O código ISO 4217 tira a dúvida em três letras: USD, CAD, AUD, NZD, SGD, HKD, TWD. Um deles funciona ao contrário: XCD, o dólar das Caraíbas Orientais, é uma só moeda partilhada por oito Estados e territórios, de Antígua a São Vicente. Um mesmo nome para muitas moedas de um lado, uma só moeda para muitos países do outro.

O peso partilha o seu sinal com o dólar, e não é acaso

México, Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, República Dominicana, Uruguai e Filipinas contam todos em pesos. O peso filipino, do outro lado do Pacífico, leva a mesma palavra pela mesma razão que os outros: a moeda de prata espanhola que circulava pelo mundo inteiro, a peça de oito, de que o dólar também descende.

Esse parentesco deixou uma armadilha ainda aberta. O sinal do dólar e o do peso são o mesmo carácter. Uma ementa marcada a $250 na Cidade do México está marcada em pesos, e quem lê dólares engana-se numa ordem de grandeza na conta. Só o país o diz, ou o código: MXN, ARS, CLP, COP, CUP, DOP, UYU, PHP.

O franco, e duas moedas de igual valor que não são a mesma moeda

A Suíça conta em francos suíços, CHF. Catorze países africanos contam em francos CFA, e são duas moedas distintas e não uma: XOF para os oito países do oeste, XAF para os seis da África central. Ambas estão ancoradas ao euro à mesma taxa fixa, 655,957 francos por euro, e as notas de uma continuam a não ser aceites na zona da outra.

Esse número não é uma cotação mas uma constante legal, e vem diretamente das nossas páginas sobre as moedas anteriores ao euro: 655,957 é exatamente cem vezes 6,55957, a taxa a que o franco francês entrou no euro. O franco CFA estava ancorado a cem por um franco francês, e a âncora passou sem alteração. O Pacífico guarda um terceiro, XPF, fixado em 119,33174 por euro.

A libra era uma libra, e o seu sinal di-lo

O sinal £ é um L, de libra, a libra romana de peso. A moeda foi-o literalmente: uma libra de prata, dividida em 240 dinheiros. É o único nome de moeda desta página que é também uma unidade de massa, e os dois sentidos ainda partilham um símbolo nas nossas páginas de peso, lb, tirado da mesma libra.

Hoje o Reino Unido, o Egito, o Líbano, o Sudão, o Sudão do Sul e a Síria contam todos em libras, e os códigos separam-nos: GBP, EGP, LBP, SDG, SSP, SYP. Mais perto há um caso mais subtil: Jersey, Guernsey e a Ilha de Man emitem as suas próprias libras, cada uma valendo exatamente uma libra esterlina, e uma loja de Londres não tem obrigação alguma de as aceitar.

A rupia, e as palavras de contagem que a acompanham

Índia, Paquistão, Sri Lanka, Nepal, Maurícia e Seicheles contam em rupias, e a Indonésia conta em rupiah, a mesma palavra por outro caminho. As Maldivas guardam uma variante própria, a rufiyaa. O Nepal é a única ligação fixa do conjunto: a rupia nepalesa está ancorada à rupia indiana a 1,6 por 1 desde 1993.

A verdadeira armadilha dos preços indianos não é a moeda, é a contagem. Os números indianos agrupam-se em lakhs e crores, não em milhões: um lakh vale cem mil, um crore vale dez milhões. Um imóvel anunciado a 1,5 crore está anunciado a quinze milhões de rupias, e quem conta em milhões engana-se num fator dez.

O riyal, o rial, e a etiqueta que vale dez vezes o código

A Arábia Saudita e o Catar contam em riais saudita e catari, Omã e o Iémen em riais, o Irão também em riais. Os códigos são SAR, QAR, OMR, YER e IRR, e os valores que carregam nada têm em comum. O rial omanense não se divide por cem mas por mil baisas, pelo que os seus preços levam três casas decimais e não duas.

O Irão tem a armadilha mais nítida de todas, e não depende do país. Os preços das lojas, das ementas e das conversas são dados em tomãs, ao passo que a moeda oficial e o código ISO são o rial, e um tomã vale dez riais. Um preço lido em riais quando foi anunciado em tomãs engana-se num fator dez, sempre.

O centésimo não é universal

Quase todas as moedas se dividem por cem, e o hábito é tão forte que passa por regra. Não é. A norma ISO 4217 regista para cada moeda o seu número de casas decimais, e nem sempre vale dois: vale zero para o iene japonês, o won coreano, a coroa islandesa e o dong vietnamita, que não têm subdivisão em uso.

Vai também no sentido inverso. Os dinares kuwaitiano, bareinita, jordano, tunisino, iraquiano e líbio e o rial omanense dividem-se por mil, os seus montantes levam portanto três casas decimais, e arredondar um deles a duas casas perde um fator dez no último algarismo. Duas moedas não se dividem de todo em decimais: o ouguiya mauritano conta cinco khoums e o ariary malgaxe cinco iraimbilanja.

Metodologia e fontes